.de volta pra minha terra

e já passou um mês que voltei, parece que está passando mais rápido do que quando cheguei na terra do tio Sam. tinha me desligado totalmente da vida de au pair, até fazer um skype com a linda da Gi e ela me falar dos problemas que tem na família “a host sumiu com as fraldas das kids” hahahaha… como era bom essa preocupação. como era bom preocupar apenas com o que vou gastar meu salário, bater uma saudade de vez em quando e ficar puta com o frio que fazia lá naquela cidade.

eu estava com medo do que eu iria sentir quando voltasse, quando entrei no avião ainda em Boston, não sabia descrever o que eu realmente estava sentindo. e foi a mesma sensação que senti quando desembarquei no aeroporto de Guarulhos.
a primeira coisa que veio na minha mente: não estão falando inglês! e agora? será que vou enferrujar de novo? será que vou esquecer tudo o que aprendi e então não vai ter valido a pena passar por tudo o que passei?
depois pensei: OMG! não podem me parar na receita! eu não completei um ano e não tenho a carta do consulado brasileiro como atestado de residência! se eles me pararem tô ferrada! não vou ter dinheiro pra pegar as minhas coisas!

tudo passou quando passei com um sorriso forçado de nervoso pela receita no corredor de “nada a declarar” e o coração acelerou! eu ia finalmente encontrar meu amor 9 meses depois! e de novo, eu não sabia o que eu estava sentindo. empurrando o carrinho com dificuldade (3 malas no limite de peso permitido, mala de mão e mochila com 15kg cada e o peso nas costas de não saber realmente se aquela fora a decisão certa a ser tomada), enfrentando os olhares de muitas pessoas a espera do desembarque dos outros passageiros foi então que vi aquele sorriso e suas mãos segurando uma rosa.
meu coração acelerou e, no misto de sensações que eu até hoje não consigo saber quais eram, para a minha surpresa eu não chorei.

eu estava cansada, com a cara amassada e morrendo de calor. por mais que eu estivesse feliz de estar de volta, de encontrar meu amor, alguma coisa estava estranha dentro de mim, ainda não tinha caído a ficha que eu estava de volta.
eu ainda não sabia o que eu ia fazer da minha vida and FYI ainda não sei!

eu estava com medo de me arrepender, de sofrer como vi algumas pessoas sofrendo por ter largado a vida boa que tinham fora do país.
mas eu sabia que precisava voltar, que não podia deixar o tempo passar nessa brincadeira de morar fora do país. eu sabia que meu inglês tinha melhorado bastante e que o meu tempo por lá já tinha se esgotado. meu objetivo tinha sido cumprido.

peraí, nem todos. nem todos? mas como assim? eu não consegui viajar e comprar várias coisas que eu queria quando imaginava minha vida de au pair aqui no Brasil, mas até quando eu iria fugir das minhas responsabilidades pra viajar e comprar coisas? até quando eu iria fugir da vida que deixei aqui, por não me considerar forte o suficiente para encará-las?
tinha algo errado, porque, até então, eu havia me declarado uma pessoa mais forte, madura e autossuficiente, então teria que encarar a minha vida de novo, que estava quase do mesmo jeito do que quando eu parti.

eu cresci sim, aprendi tantas coisas que não consigo explicar, vi a vida de uma outra forma. foi tudo incrível só que eu não queria viver no passado. ficava com medo de ser aquela chata que vive se lamentando por ter voltado, por ter deixado pra trás uma parte da vida, um capítulo que eu sabia que seria breve. mas esse medo mais bobo do que eu imaginava.

quando você toma uma decisão, seja ela qual for, de cortar o cabelo até de continuar na sua louca viagem pelo mundo, quando você tem a certeza do que você está fazendo o que precisa ser feito, não há motivos para ter medo ou arrependimento. quando você se vê responsável pela sua vida e as decisões que precisam ser tomadas para que você chegue ao lugar que deseja, você entende que precisamos abrir mão de certas coisas e que isso não é necessariamente ruim. eu aprendi tudo isso.

e sim, ficar esse tempo longe de “casa” é que me ajudou a ver tudo isso. me ajudou a ver que a minha casa é o mundo e que o Brasil sempre vai estar aqui pra mim, mas suas fronteiras não me causam mais medo e nem me impedem de voar.

voltar foi, sem dúvida, a melhor decisão que eu tomei naquele momento. sinto saudades de várias coisas, mas nenhuma delas deixa um gosto amargo quando aparecem em minha mente, mas sim um sorriso bobo de canto de boca por lembrar que eu fiz aquilo que eu queria ter feito, na medida do possível.

agora eu me sinto de volta pra minha terra. onde eu sempre serei bem vinda e sempre irei amar incondicionalmente!

Brasil! ❤

um beijo e um queijo!
😉

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4 respostas em “.de volta pra minha terra

  1. Bom saber q depois de um mês vc ta legal! Tbm tenho medo de ser a gata q corja e reclama de td… Sucesso pra vc no seu retorno a terrinha!

    • ahhh obrigada! 🙂
      sim, as coisas estão caminhando bem! agora pra ficar tudo perfeito só falta arrumar um emprego! hahaha.

      e pense assim: se você sente que tem motivos muito fortes para se arrepender, não volte, faça o que você acha que precisa fazer, caso o contrário, já guarde o dinheiro para despachar as malas! hahaha

      bjs!

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